Psicanálise · Filosofia · Teoria da Arte · Linguagem

José Carvalho
“A consciência de si é em si e para si quando e por que é em si e para si para Outra; quer dizer, só é como algo reconhecido.”
— G. W. F. Hegel, Fenomenologia do Espírito (1807), ed. Vozes, 2016, p. 111“Não há sujeito verdadeiro que se sustente a não ser aquele que fala em nome da palavra. [...] Só existe sujeito na referência a esse Outro.”
— Jacques Lacan, O Seminário, livro 5: As formações do inconsciente (1957–1958), 1999, p. 16Trajetória & Formação
Percurso
Psicanalista, professor e pesquisador. Graduado em Artes Visuais pela UFES, Mestre em Estudos Contemporâneos da Arte pela UFF, pós-graduado em Clínica Psicanalítica Lacaniana pelo Instituto ESPE e participante do Fórum do Campo Lacaniano do Rio de Janeiro.
Desenvolve pesquisas na interseção entre psicanálise, filosofia da psicanálise e teoria da arte, com interesse específico nas relações entre subjetividade, linguagem, política, teoria da verdade e estética.
É co-organizador e pesquisador-membro do Forma Nula, onde explora o estreitamento entre filosofia da psicanálise, política e ontologia.

Em curso
Grupos e seminários em andamento
Teoria & Investigação
Pesquisa
Desenvolve uma teoria política da arte voltada a compreender como os objetos estéticos intervêm no mundo social para além da intencionalidade autoral e de sua redução a veículos de mensagens, posições ideológicas ou programas políticos previamente constituídos. Sua pesquisa discute os limites do intencionalismo, da instrumentalização e das concepções de arte politicamente engajada, interrogando de que modo a própria organização formal de uma obra pode produzir efeitos cognitivos, perceptivos e políticos que excedem tanto as intenções de seus produtores quanto as condições imediatas de sua recepção. Nesse horizonte, articula Adorno, Marcuse, Hegel, Lacan e Lotman na construção de modelos dialéticos e estruturais dedicados à investigação do sujeito da arte, da autonomia estética, da negatividade, do conteúdo de verdade das obras e de suas mediações sociais concretas.
Parte importante de seus interesses atuais concentra-se nos problemas metafísicos e ontológicos que atravessam a estética e a psicanálise. Interessa-lhe investigar que espécie de entidade é uma obra de arte, em que consiste sua identidade através de diferentes contextos históricos e interpretações e de que maneira propriedades formais podem adquirir eficácia sem serem reduzidas às intenções de um sujeito. Paralelamente, examina os compromissos ontológicos e metafísicos implicados pela teoria psicanalítica: o estatuto do inconsciente, do sujeito dividido, da negatividade, da falta, do real e da causalidade psíquica, assim como as relações entre estrutura e fenômeno, necessidade formal e contingência histórica. Daí seu interesse pelas aproximações e tensões entre psicanálise, idealismo alemão, materialismo, estruturalismo e debates contemporâneos em metafísica e ontologia.
A linguagem constitui outro eixo dessa investigação, sobretudo no ponto em que deixa de ser concebida como simples instrumento de representação para aparecer como uma estrutura capaz de participar da constituição do sujeito e da realidade social. A partir de Lacan, do estruturalismo francês, do formalismo russo, da semiótica de Lotman e de problemas provenientes da filosofia da linguagem e da lógica, interessa-lhe pensar a autonomia relativa das estruturas significantes, os processos de formalização e as relações entre linguagem, negatividade e produção de sentido. Esse percurso conduz também a questões acerca do estatuto dos modelos formais em psicanálise — matemas, estruturas discursivas e relações significantes — e sobre a possibilidade de distinguir aquilo que, em uma estrutura, depende de circunstâncias históricas daquilo que apresenta uma necessidade lógica própria.
No campo da arte, esses problemas foram investigados tanto em relação às vanguardas e ao modernismo europeu quanto às condições periféricas de produção estética. No mestrado, examinou, a partir de Schoenberg e Gerhard Richter, a retração formal como resposta à mercantilização da cultura e sua relação com a figura hegeliana da bela alma; investigou ainda as relações entre centro e periferia no modernismo brasileiro e os problemas da alteridade e da constituição da identidade nacional nas obras de Mário de Andrade e Manuel Bandeira.
Seus interesses atuais prolongam essas questões em direção a uma investigação mais ampla sobre as relações entre forma, sujeito e história: como estruturas estéticas e simbólicas adquirem consistência própria, como objetos podem carregar contradições que não se deixam reduzir às consciências que os produziram e como arte, linguagem e psicanálise permitem pensar modos de causalidade e de transformação que atravessam, mas também excedem, a ação intencional dos sujeitos.

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